Domingo, Março 19, 2006
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Domingo, Março 21, 2004
Hoje o público deu à luz uns números engraçados. Embora os métodos sejam discutíveis, vós estudantes de ciências sociais sois sensíveis a estas coisas, há um número recorrente na pobreza portuguesa. 200.000 pessoas, em portugal, passam fome. Número confirmado pelo eurostat e que manteve inalterável desde a década de 80.
Ora se um dos objectivos da adesão à UE é o crescimento económico, a coesão social e regional, como é que continuamos a ter os mesmos 200 000 a passar fome? São as putas das anoréticas! À medida que as necessidades alimentares vão sendo satisfeitas e deixa de existir carência de bens sociais básicos, as pessoas criam novas necessidades. Ser magras. Daí que não gastem os 250 euros por mês em produtos básicos, como alimentação, mas antes em produtos sofisticados como roupa da zara, que de qualquer forma só vem em tamanhos minúsculos. Devemos ver os 200 000 como um sinal de progresso social e mental. Não venham cá as más línguas dizer que o governo prejudica gravemente os pobres, que o cds tem uma política hostil para pessoas que já não se conseguem defender, que tiraram a substância ao rendimento mínimo garantido, sem acabar com ele, evitando consequências políticas mais nefastas. Esses comentários - tudo má fé!
Além disso, como é que em portugal se pode passar fome, se o bom português, mantém aquela sua pança de cerveja? Pode não comer, mas bebe quanto baste. E toda a gente sabe que não há melhor alimento que um bom vinho, a fresca cerveja ou o ardente bagaço. O vinho tem vitaminas, pois é feito de fruta. Bebida natural mais barata que os compais. A cerveja contém cereais, a base de qualquer alimentação saudável, cheia de glícidos para dar energia. E o bagaço, bom, o bagaço cumpre funções vastas. Por um lado, aquece os corpos no inverno, por outro consola os espíritos da tristeza, da saudade. As mulheres bebem-no para esquecer a porrada que levam dos maridos. Os maridos bebem-no para esquecer que dão porrada às mulheres. Os filhos bebem-no para esquecer o trauma de não terem o action man que caga em pleno voo sem sujar as cuecas. As avós bebem-no porque já não têm dentes para mastigar. E ainda há quem o beba para matar a cárie e poupar 10 contos no dentista.
«O Partido busca o poder exclusivamente por amor ao poder. Não nos interessa o bem dos outros: somente o poder, (...) o poder puro. Não se instaura uma ditadura para salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para se instaurar a ditadura.» 1984, G. Orwell
Ora se um dos objectivos da adesão à UE é o crescimento económico, a coesão social e regional, como é que continuamos a ter os mesmos 200 000 a passar fome? São as putas das anoréticas! À medida que as necessidades alimentares vão sendo satisfeitas e deixa de existir carência de bens sociais básicos, as pessoas criam novas necessidades. Ser magras. Daí que não gastem os 250 euros por mês em produtos básicos, como alimentação, mas antes em produtos sofisticados como roupa da zara, que de qualquer forma só vem em tamanhos minúsculos. Devemos ver os 200 000 como um sinal de progresso social e mental. Não venham cá as más línguas dizer que o governo prejudica gravemente os pobres, que o cds tem uma política hostil para pessoas que já não se conseguem defender, que tiraram a substância ao rendimento mínimo garantido, sem acabar com ele, evitando consequências políticas mais nefastas. Esses comentários - tudo má fé!
Além disso, como é que em portugal se pode passar fome, se o bom português, mantém aquela sua pança de cerveja? Pode não comer, mas bebe quanto baste. E toda a gente sabe que não há melhor alimento que um bom vinho, a fresca cerveja ou o ardente bagaço. O vinho tem vitaminas, pois é feito de fruta. Bebida natural mais barata que os compais. A cerveja contém cereais, a base de qualquer alimentação saudável, cheia de glícidos para dar energia. E o bagaço, bom, o bagaço cumpre funções vastas. Por um lado, aquece os corpos no inverno, por outro consola os espíritos da tristeza, da saudade. As mulheres bebem-no para esquecer a porrada que levam dos maridos. Os maridos bebem-no para esquecer que dão porrada às mulheres. Os filhos bebem-no para esquecer o trauma de não terem o action man que caga em pleno voo sem sujar as cuecas. As avós bebem-no porque já não têm dentes para mastigar. E ainda há quem o beba para matar a cárie e poupar 10 contos no dentista.
«O Partido busca o poder exclusivamente por amor ao poder. Não nos interessa o bem dos outros: somente o poder, (...) o poder puro. Não se instaura uma ditadura para salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para se instaurar a ditadura.» 1984, G. Orwell
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Sábado, Março 20, 2004
Aqui vai a votação farpa acerca das propinas. Serve isto de prova dos nove para os resultados do referendo da AE! Sejam democráticos, caralho, e toca a votar!
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Ora vejam lá o que eu li hoje no Público: O Instituto Português do Património Arquitectónico vai em breve lançar concurso para obras de pequenos restauros a promover no Arco da Rua Augusta. Este monumento nacional, que tem sido muito afectado pela poluição dos motores dos automóveis, será alvo de uma operação de limpeza e restauro, no âmbito das comemorações dos 250 anos do terramoto.
Espantados com o facto do IPAR fazer mesmo qualquer coisa meritória? É sem dúvida motivo de espanto, mas espantoso espantoso é o motivo da limpeza! Vão comemorar os 250 anos do terramoto. Não é da reconstrução da baixa, mas do terramoto. Não do marquês, mas do terramoto. Quer dizer, como portugal ficou muito pequeno e sem grandes motivos de orgulho, suponho que daqui a 100 anos estaremos a comemorar a primeira estatística oficial, depois da entrada na UE, que revelou sermos o país com pior qualidade de vida.
Não vejo mesmo obstáculos a que se celebre o aniversário da queda da ponte em entre os rios com fogo de artifício e baile. Depois disso, passaremos a comemorar o buraco financeiro do ministério da saúde, para, eventualmente, acabarmos a celebrar a tristeza de portugal. O que não deixa de ser um passo em frente, suas más línguas, mostraria que temos sentido de humor.
Viva Portugal, Viva PUM
Espantados com o facto do IPAR fazer mesmo qualquer coisa meritória? É sem dúvida motivo de espanto, mas espantoso espantoso é o motivo da limpeza! Vão comemorar os 250 anos do terramoto. Não é da reconstrução da baixa, mas do terramoto. Não do marquês, mas do terramoto. Quer dizer, como portugal ficou muito pequeno e sem grandes motivos de orgulho, suponho que daqui a 100 anos estaremos a comemorar a primeira estatística oficial, depois da entrada na UE, que revelou sermos o país com pior qualidade de vida.
Não vejo mesmo obstáculos a que se celebre o aniversário da queda da ponte em entre os rios com fogo de artifício e baile. Depois disso, passaremos a comemorar o buraco financeiro do ministério da saúde, para, eventualmente, acabarmos a celebrar a tristeza de portugal. O que não deixa de ser um passo em frente, suas más línguas, mostraria que temos sentido de humor.
Viva Portugal, Viva PUM
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Segunda-feira, Março 15, 2004
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Olá!
Venho interromper o meu silêncio para desejar uma boa viagem ao aznar! Espero que ele sofra muito lá no hades dos políticos inábeis. Com o petroleiro prestige foi o que foi. Mas a miséria de quinta feira em diante foi deplorável! Assim não há quem mantenha um governo! São as desvantagens da democracia.
Ave Putin!
Venho interromper o meu silêncio para desejar uma boa viagem ao aznar! Espero que ele sofra muito lá no hades dos políticos inábeis. Com o petroleiro prestige foi o que foi. Mas a miséria de quinta feira em diante foi deplorável! Assim não há quem mantenha um governo! São as desvantagens da democracia.
Ave Putin!
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Sexta-feira, Março 05, 2004
Miguel Sousa Tavares reflectindo sobre as formas de desvalorizar adversários políticos
Aqui e ali, subrepticiamente, venho detectando sinais de um tipo de argumentação política, ainda desgarrado e desorganizado, mas que tenta fazer o seu caminho. Consiste essa argumentação, grosso modo, em restringir a liberdade de opinião, de crítica política ou de intervenção cívica àqueles que "foram a votos" ou têm "obra feita". Por "obra feita" deve entender-se apenas a obra política, mesmo aquela que se limita a ser o corolário lógico das obrigações resultantes de um mandato eleitoral. Por exemplo, o autarca que, no uso das suas competências e obrigações e utilizando os dinheiros públicos ao seu dispor, manda construir um centro de terceira idade tem "obra feita" e uma legitimidade específica daí decorrente. Inversamente, aos olhos destes, quem vive na vida civil, mesmo que construa pontes, plante árvores ou componha óperas, não tem obra feita que lhe permita assegurar idêntica legitimidade para a discussão ou intervenção política. Aconteceu-me, nas três ou quatro vezes que me convidaram para concorrer em eleições e assumir lugares políticos, tentarem convencer-me com o argumento de que "já é tempo de passar das palavras à acção" - como se as palavras não fossem uma forma de acção.
Com o argumento da "obra feita" concorre outro argumento, que é o da legitimidade dos votos, contraposta à correspondente ilegitimidade implícita dos que não foram a votos - é um argumento ultimamente muito em voga entre os apoiantes de Santana Lopes. Se o fôssemos a aceitar, significaria que, para todos os efeitos, passariam a existir duas categorias de cidadãos, no que ao exercício do direito de intervenção política se refere: os que foram a votos e os que não foram. Sendo que a intervenção política dos primeiros estaria sempre e em cada momento sufragada e particularmente qualificada pelo voto dos eleitores que neles votaram. Qualquer discussão entre as duas espécies estaria assim à partida prejudicada pela fatal pergunta: "Eu valho x votos. Tu quantos vales?"
In Público, 5 de Março de 2004
Aqui e ali, subrepticiamente, venho detectando sinais de um tipo de argumentação política, ainda desgarrado e desorganizado, mas que tenta fazer o seu caminho. Consiste essa argumentação, grosso modo, em restringir a liberdade de opinião, de crítica política ou de intervenção cívica àqueles que "foram a votos" ou têm "obra feita". Por "obra feita" deve entender-se apenas a obra política, mesmo aquela que se limita a ser o corolário lógico das obrigações resultantes de um mandato eleitoral. Por exemplo, o autarca que, no uso das suas competências e obrigações e utilizando os dinheiros públicos ao seu dispor, manda construir um centro de terceira idade tem "obra feita" e uma legitimidade específica daí decorrente. Inversamente, aos olhos destes, quem vive na vida civil, mesmo que construa pontes, plante árvores ou componha óperas, não tem obra feita que lhe permita assegurar idêntica legitimidade para a discussão ou intervenção política. Aconteceu-me, nas três ou quatro vezes que me convidaram para concorrer em eleições e assumir lugares políticos, tentarem convencer-me com o argumento de que "já é tempo de passar das palavras à acção" - como se as palavras não fossem uma forma de acção.
Com o argumento da "obra feita" concorre outro argumento, que é o da legitimidade dos votos, contraposta à correspondente ilegitimidade implícita dos que não foram a votos - é um argumento ultimamente muito em voga entre os apoiantes de Santana Lopes. Se o fôssemos a aceitar, significaria que, para todos os efeitos, passariam a existir duas categorias de cidadãos, no que ao exercício do direito de intervenção política se refere: os que foram a votos e os que não foram. Sendo que a intervenção política dos primeiros estaria sempre e em cada momento sufragada e particularmente qualificada pelo voto dos eleitores que neles votaram. Qualquer discussão entre as duas espécies estaria assim à partida prejudicada pela fatal pergunta: "Eu valho x votos. Tu quantos vales?"
In Público, 5 de Março de 2004
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Quarta-feira, Março 03, 2004
THIS IS THE ENDA, MY ONLY FRIEND, THE ENDA - DIRECTOR'S CUT
Neste último fim-de-semana, decorreu mais um Encontro Nacional de Direcções Associativas. Nada de especial, Plenário Nacional de Estudantes marcado para o dia 16, Manifestação para o dia 24 e Greve no dia 1 de Abril. Agora para que tudo desse certo e conseguíssemos ter um vitória para variar (acreditem, elas são possíveis e vão acontecendo), só bastava ter as Direcções das Associações de Estudantes do nosso lado! Ou seja, que não se limitassem a marcar coisas, mas a fazer com que elas dessem certo. Vou tentar exemplificar melhor: Para o Plenário, uma Direcção como a da AEISCSP que tem dinheiro para organizar ENDAS, tem dinheiro para alugar pelo menos um autocarro e penso eu, recursos para mobilizar pelo menos 25 pessoas para ir ao tal Plenário (sim porque os outros 25 são a FARPA). Se metade das Direcções das AE's de Lisboa fizessem isso, teríamos que fazer o plenário no Estádio, com a malta toda na relva.
Acho que já nem vale a pena falar nas manifestações, se chegarem lá a horas já fico satisfeito, embora continue a acreditar que a melhor maneira do povo demonstrar o seu descontentamento é nas ruas. Mas talvez seja preciso a propina chegar aos 4 mil euros como no Reino Unido, talvez seja preciso esperar que a pequena e média burguesia (a marioria de nós, enquanto elite estudantil) seja impossibilitada de estudar, para conseguirmos ter uma manifestação como deve ser. Depois de nos retirarem dos órgãos de gestão, o que está para breve assim como o regresso das provas de acesso ao Ensino Superior Público nas faculdades, talvez já não iremos a tempo de gritar...
Quanto à greve, devem informar os alunos de que vai haver greve naquele dia, ao mesmo tempo que façam alguma acção de contestação nesse dia. Penso que tentar juntar colegas que não puderam prosseguir os seus estudos e fazer uma visita ao gabinete do Prof. Barata seria uma boa ideia, já para não falar de uma ideia mais megalómana de fazer isto a nível de outras faculdades e por esse pessoal todo à porta do Ministério, visto que uma das garantias que o actual governo nos deu foi a de que nenhuma pessoa seria excluída do Ensino Superior Público.
Mas voltando ao Enda, devo dizer que houve outros factos a assinalar. A já anunciada (na DONA FARPA 3) feira dos tachos (Eleições para o CAFUP; CNE; CNASES e sabe-se lá mais o que) miraculosamente proporcionou a que este fosse o ENDA mais participado dos últimos dois anos, aproximadamente (praí desde a última feira dos tachos). Alegadamente, mais de 100 Associações de Estudantes estiveram representadas, embora menos de metade estivesse presente nos outros painéis.
Embora a FARPA tenha tido acesso à convocatória e respectiva ordem de trabalhos do ENDA (sabe-se lá como) e obviamente, podermos disponibiliza-lo à vontade, primeiro gostariamos de dar oportunidade a nossa DAEISCSP de o fazer. E que para além disso, já agora, nos faça um resumo do Painel Final, que deve ter sido muito interessante, visto tratar-se de pontos como o Balanço do ENDA e a Apresentação das conclusões do ENDA. A respeito deste último ponto, devo dizer que valeu a pena ter sido organizado pela nossa AE, é a única maneira de alguém que não seja presidente de alguma Associação Académica estar presente na conferência de imprensa. Neste caso, o nosso presidente também esteve lá no meio, mas não se preocupem, os outros não são muito melhores... Mas penso que estes meus pedidos não são exagerados, visto que essas Associações nos representam e estão ali a decidir o nosso futuro e em nosso nome. Vale sempre a pena lembrar isto, há quem teime em esquecer.
E por último devo assinalar algo que nos saltou à vista imediatamente ao lermos a Ordem de Trabalhos deste fabulástico ENDA daeiscspiano. Às 24h00 de 6ª feira dia 27 de Fevereiro consta uma: "Tertúlia convívio em Bar/discoteca em Lisboa".
Um elemento da DAEISCSP quando confrontado com este facto, piscou-nos o olho e disse-nos "talvez", o que nos proporcionou um belo momento de risota numa ensolarada tarde de 6ª feira. Em relação a isto, devo congratular a nossa DAEIXP por comprovar que está na vanguarda do Movimento: Para além de ter arranjada o melhor eufemismo para a palavra Festa que eu já vi, tornou-a oficial nos ENDAS. Sim porque festas sempre houveram, dantes para alguns, que normalmente não apareciam de manhã. Agora para todos, visto que os trabalhos deste ENDA só eram supostos começar no sábado às 15h00. É bom saber como o nosso dinheiro é bem gasto, não concordam? Alguém já ouviu falar em optimizar o tempo, tentar meter o pessoal todo no mesmo hotel, com um serviço de despertar? Ou é mesmo suposto estes encontros trimestrais de traidores associativos (Hoje em dia poucos fogem à regra) serem fins-de-semana de tertúlias convívios?
P.S. (ou talvez J.S.) resolvi nem sequer comentar o ENDA pendente, por considerá-lo demasiado baixo mesmo considerando as pessoas responsáveis por ele. Já nos criticaram por muito, muito menos. Mas ainda vamos a tempo de remediar isso, afinal de contas, as eleições vêm aí e a FARPA estará presente de uma maneira ou de outra. O problema é que faltam argumentos para nos calarem, conseguimos desenvolver um trabalho mais regular que a própria DAEISCSP ao longo do ano (reunimos toda santa semana, excluindo 2 santas semanas de fevereiro devido às santas frequências, por exemplo) e do que qualquer núcleo, exceptuando praí a Tuna (talvez...). Isso sem falar na disparidade de recursos disponíveis, quem nos dera ter o apoio que tem o ISCO para sair uma vez por ano, com sorte. E azar o deles, deram-nos motivos de sobra para podermos dizer: Retirem-se, acabem os cursos, poupem-nos a todos de mais um ano de vexame, problemas técnicos e atrasos nos transportes. Deêm o bracinho a torcer, e caciquem lá os vossos 800 votos para este lado que ele merece. E não se preocupem, porque os vossos preferidos não hão de lá estar. Sabemos dar lugar aos mais novos, não nos agarramos a poleiros. Mas isto já está para além da vossa compreensão, provavelmente.
Alex Gomes
Neste último fim-de-semana, decorreu mais um Encontro Nacional de Direcções Associativas. Nada de especial, Plenário Nacional de Estudantes marcado para o dia 16, Manifestação para o dia 24 e Greve no dia 1 de Abril. Agora para que tudo desse certo e conseguíssemos ter um vitória para variar (acreditem, elas são possíveis e vão acontecendo), só bastava ter as Direcções das Associações de Estudantes do nosso lado! Ou seja, que não se limitassem a marcar coisas, mas a fazer com que elas dessem certo. Vou tentar exemplificar melhor: Para o Plenário, uma Direcção como a da AEISCSP que tem dinheiro para organizar ENDAS, tem dinheiro para alugar pelo menos um autocarro e penso eu, recursos para mobilizar pelo menos 25 pessoas para ir ao tal Plenário (sim porque os outros 25 são a FARPA). Se metade das Direcções das AE's de Lisboa fizessem isso, teríamos que fazer o plenário no Estádio, com a malta toda na relva.
Acho que já nem vale a pena falar nas manifestações, se chegarem lá a horas já fico satisfeito, embora continue a acreditar que a melhor maneira do povo demonstrar o seu descontentamento é nas ruas. Mas talvez seja preciso a propina chegar aos 4 mil euros como no Reino Unido, talvez seja preciso esperar que a pequena e média burguesia (a marioria de nós, enquanto elite estudantil) seja impossibilitada de estudar, para conseguirmos ter uma manifestação como deve ser. Depois de nos retirarem dos órgãos de gestão, o que está para breve assim como o regresso das provas de acesso ao Ensino Superior Público nas faculdades, talvez já não iremos a tempo de gritar...
Quanto à greve, devem informar os alunos de que vai haver greve naquele dia, ao mesmo tempo que façam alguma acção de contestação nesse dia. Penso que tentar juntar colegas que não puderam prosseguir os seus estudos e fazer uma visita ao gabinete do Prof. Barata seria uma boa ideia, já para não falar de uma ideia mais megalómana de fazer isto a nível de outras faculdades e por esse pessoal todo à porta do Ministério, visto que uma das garantias que o actual governo nos deu foi a de que nenhuma pessoa seria excluída do Ensino Superior Público.
Mas voltando ao Enda, devo dizer que houve outros factos a assinalar. A já anunciada (na DONA FARPA 3) feira dos tachos (Eleições para o CAFUP; CNE; CNASES e sabe-se lá mais o que) miraculosamente proporcionou a que este fosse o ENDA mais participado dos últimos dois anos, aproximadamente (praí desde a última feira dos tachos). Alegadamente, mais de 100 Associações de Estudantes estiveram representadas, embora menos de metade estivesse presente nos outros painéis.
Embora a FARPA tenha tido acesso à convocatória e respectiva ordem de trabalhos do ENDA (sabe-se lá como) e obviamente, podermos disponibiliza-lo à vontade, primeiro gostariamos de dar oportunidade a nossa DAEISCSP de o fazer. E que para além disso, já agora, nos faça um resumo do Painel Final, que deve ter sido muito interessante, visto tratar-se de pontos como o Balanço do ENDA e a Apresentação das conclusões do ENDA. A respeito deste último ponto, devo dizer que valeu a pena ter sido organizado pela nossa AE, é a única maneira de alguém que não seja presidente de alguma Associação Académica estar presente na conferência de imprensa. Neste caso, o nosso presidente também esteve lá no meio, mas não se preocupem, os outros não são muito melhores... Mas penso que estes meus pedidos não são exagerados, visto que essas Associações nos representam e estão ali a decidir o nosso futuro e em nosso nome. Vale sempre a pena lembrar isto, há quem teime em esquecer.
E por último devo assinalar algo que nos saltou à vista imediatamente ao lermos a Ordem de Trabalhos deste fabulástico ENDA daeiscspiano. Às 24h00 de 6ª feira dia 27 de Fevereiro consta uma: "Tertúlia convívio em Bar/discoteca em Lisboa".
Um elemento da DAEISCSP quando confrontado com este facto, piscou-nos o olho e disse-nos "talvez", o que nos proporcionou um belo momento de risota numa ensolarada tarde de 6ª feira. Em relação a isto, devo congratular a nossa DAEIXP por comprovar que está na vanguarda do Movimento: Para além de ter arranjada o melhor eufemismo para a palavra Festa que eu já vi, tornou-a oficial nos ENDAS. Sim porque festas sempre houveram, dantes para alguns, que normalmente não apareciam de manhã. Agora para todos, visto que os trabalhos deste ENDA só eram supostos começar no sábado às 15h00. É bom saber como o nosso dinheiro é bem gasto, não concordam? Alguém já ouviu falar em optimizar o tempo, tentar meter o pessoal todo no mesmo hotel, com um serviço de despertar? Ou é mesmo suposto estes encontros trimestrais de traidores associativos (Hoje em dia poucos fogem à regra) serem fins-de-semana de tertúlias convívios?
P.S. (ou talvez J.S.) resolvi nem sequer comentar o ENDA pendente, por considerá-lo demasiado baixo mesmo considerando as pessoas responsáveis por ele. Já nos criticaram por muito, muito menos. Mas ainda vamos a tempo de remediar isso, afinal de contas, as eleições vêm aí e a FARPA estará presente de uma maneira ou de outra. O problema é que faltam argumentos para nos calarem, conseguimos desenvolver um trabalho mais regular que a própria DAEISCSP ao longo do ano (reunimos toda santa semana, excluindo 2 santas semanas de fevereiro devido às santas frequências, por exemplo) e do que qualquer núcleo, exceptuando praí a Tuna (talvez...). Isso sem falar na disparidade de recursos disponíveis, quem nos dera ter o apoio que tem o ISCO para sair uma vez por ano, com sorte. E azar o deles, deram-nos motivos de sobra para podermos dizer: Retirem-se, acabem os cursos, poupem-nos a todos de mais um ano de vexame, problemas técnicos e atrasos nos transportes. Deêm o bracinho a torcer, e caciquem lá os vossos 800 votos para este lado que ele merece. E não se preocupem, porque os vossos preferidos não hão de lá estar. Sabemos dar lugar aos mais novos, não nos agarramos a poleiros. Mas isto já está para além da vossa compreensão, provavelmente.
Alex Gomes
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Segunda-feira, Março 01, 2004
QUANDO É O FUTEBOL QUE MANDA NA POLÍTICA
Noutros países, europeus e não só, já assistimos a casos onde a política interferiu no futebol, na maior parte dos casos de forma nociva, com Gil y Gil e Silvio Berlusconi nos principais papeis.
Em Portugal, como não poderia deixar de ser, acontece exactamente o oposto: É o futebol que manda na esfera política, o EURO 2004 tem mais relevância e audiência que as eleições europeias, a grande entrevista com Pinto da Costa bateu qualquer debate eleitoral e como eu já referi, os estádios são mesmo giros. Alguém consegue imaginar a gigantesca manifestação em frente à Liga se por acaso o Benfica descesse de divisão? Seria a puta da loucura!! Levem-me lá o dinheiro todo em impostos e taxas e merdas e propinas, mas não façam mal ao glorioso... (nada contra o benfica, com os outros aconteceria a mesma coisa, apenas em menor escala, dizem eles).
Outro aspecto que me faz muita confusão. Qualquer indíviduo que conheça alguns princípios básicos do Direito sabe que um dos pilares fundamentais da democracia é a separação de poderes. Legislativo, executivo e judicial na maior parte dos casos. Sabendo que a Liga detém já os poderes legislativos e executivos em relação ao futebol português, como é possível que a arbitragem também faça parte da liga? Nem um sorteiozito nem nada, para disfarçar a roubalheira? Recorrem a imagens de vídeo apenas quando é conveniente?
Não me espanta o fanatismo da população portuguesa com o futebol. A Superliga como lhe chamam é apenas uma metáfora desta cultura que nos caracteriza e da qual nao conseguimos fugir, apenas subverter ainda mais.
Alex Gomes
Noutros países, europeus e não só, já assistimos a casos onde a política interferiu no futebol, na maior parte dos casos de forma nociva, com Gil y Gil e Silvio Berlusconi nos principais papeis.
Em Portugal, como não poderia deixar de ser, acontece exactamente o oposto: É o futebol que manda na esfera política, o EURO 2004 tem mais relevância e audiência que as eleições europeias, a grande entrevista com Pinto da Costa bateu qualquer debate eleitoral e como eu já referi, os estádios são mesmo giros. Alguém consegue imaginar a gigantesca manifestação em frente à Liga se por acaso o Benfica descesse de divisão? Seria a puta da loucura!! Levem-me lá o dinheiro todo em impostos e taxas e merdas e propinas, mas não façam mal ao glorioso... (nada contra o benfica, com os outros aconteceria a mesma coisa, apenas em menor escala, dizem eles).
Outro aspecto que me faz muita confusão. Qualquer indíviduo que conheça alguns princípios básicos do Direito sabe que um dos pilares fundamentais da democracia é a separação de poderes. Legislativo, executivo e judicial na maior parte dos casos. Sabendo que a Liga detém já os poderes legislativos e executivos em relação ao futebol português, como é possível que a arbitragem também faça parte da liga? Nem um sorteiozito nem nada, para disfarçar a roubalheira? Recorrem a imagens de vídeo apenas quando é conveniente?
Não me espanta o fanatismo da população portuguesa com o futebol. A Superliga como lhe chamam é apenas uma metáfora desta cultura que nos caracteriza e da qual nao conseguimos fugir, apenas subverter ainda mais.
Alex Gomes
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